terça-feira, 3 de março de 2015

GUIDO MANTEGA E A AUTORIZAÇÃO PARA "DELETAR O DIFERENTE". (por Eliane Brum)



Como tantos outros blogs, publico aqui o artigo de Eliane Brum no EL PAIS . Um dos mais lúcidos e densos artigos que li nos últimos dias 


GUIDO MANTEGA E A AUTORIZAÇÃO PARA DELETAR A DIFERENÇA  (por Eliane Brum)



     Em 19 de fevereiro, Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, estava na lanchonete do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, quando foi hostilizado por uma mulher, com o apoio de outras pessoas ao redor. Os gritos: “Vá pro SUS!”. Entre eles, “safado” e “fdp”. Mantega era acompanhado por sua esposa, Eliane Berger, psicanalista. Ela faz um longo tratamento contra o câncer no hospital, mas o casal estava ali para visitar um amigo. O episódio se tornou público na semana passada, quando um vídeo mostrando a cena foi divulgado no YouTube.
       Entre as várias questões importantes sobre o momento atual do Brasil – mas não só do Brasil – que o episódio suscita, esta me parece particularmente interessante:

                                                 

“Que passo é esse que se dá entre a discordância com relação à política econômica e a impossibilidade de sustentar o lugar do OUTRO no espaço público?”.

     A pergunta consta de uma carta escrita pelo Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública (MPASP), que encontrou na cena vivida por Guido e Eliane ecos do período que antecedeu a Segunda Guerra, na Alemanha nazista, quando se iniciou a construção de um clima de intolerância contra judeus, assim como contra ciganos, homossexuais e pessoas com deficiências mentais e/ou físicas. O desfecho todos conhecem. Em apoio a Guido e Eliane, mas também pela valorização do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende milhões de brasileiros, o MPASP lançou a hashtag #VamosTodosProSUS.

      Pode-se aqui fazer a ressalva de que a discordância vai muito além da política econômica e que o ex-ministro petista encarnaria na lanchonete de um dos hospitais privados mais caros do país algo bem mais complexo. Mas a pergunta olha para um ponto preciso do cotidiano atual do Brasil: em que momento a opinião ou a ação ou as escolhas do outro, da qual divergimos, se transforma numa impossibilidade de suportar que o outro exista? E, assim, é preciso eliminá-lo, seja expulsando-o do lugar, como no caso de Guido e Eliane, seja eliminando sua própria existência – simbólica, como em alguns projetos de lei que tramitam no Congresso, visando suprimir direitos fundamentais dos povos indígenas ou de outras minorias; física, como nos crimes de assassinato por homofobia ou preconceito racial.

       O que significa, afinal, esse passo a mais, o limite ultrapassado, que tem sido chamado de “espiral de ódio” ou “espiral de intolerância”, num país supostamente dividido (e o supostamente aqui não é um penduricalho)? De que matéria é feita essa fronteira rompida?

      A resposta admite muitos ângulos. Na minha hipótese, entre tantas possíveis, peço uma espécie de licença poética à filósofa Hannah Arendt, para brincar com o conceito complexo que ela tão brilhantemente criou e chamar esse passo a mais de “a boçalidade do mal”. Não banalidade, mas boçalidade mesmo. Arendt, para quem não lembra, alcançou “a banalidade do mal” ao testemunhar o julgamento do nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, e perceber que ele não era um monstro com um cérebro deformado, nem demonstrava um ódio pessoal e profundo pelos judeus, nem tampouco se dilacerava em questões de bem e de mal. Eichmann era um homem decepcionantemente comezinho que acreditava apenas ter seguido as regras do Estado e obedecido à lei vigente ao desempenhar seu papel no assassinato de milhões de seres humanos. Eichmann seria só mais um burocrata cumprindo ordens que não lhe ocorreu questionar. A banalidade do mal se instala na ausência do pensamento.

      A boçalidade do mal, uma das explicações possíveis para o atual momento, é um fenômeno gerado pela experiência da internet. Ou pelo menos ligado a ela. Desde que as redes sociais abriram a possibilidade de que cada um expressasse livremente, digamos, o seu “eu mais profundo”, a sua “verdade mais intrínseca”, descobrimos a extensão da cloaca humana. Quebrou-se ali um pilar fundamental da convivência, um que Nelson Rodrigues alertava em uma de suas frases mais agudas: “Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava”. O que se passou foi que descobrimos não apenas o que cada um faz entre quatro paredes, mas também o que acontece entre as duas orelhas de cada um. Descobrimos o que cada um de fato pensa sem nenhuma mediação ou freio. E descobrimos que a barbárie íntima e cotidiana sempre esteve lá, aqui, para além do que poderíamos supor, em dimensões da realidade que só a ficção tinha dado conta até então.

       Descobrimos, por exemplo, que aquele vizinho simpático com quem trocávamos amenidades bem educadas no elevador defende o linchamento de homossexuais. E que mesmo os mais comedidos são capazes de exercer sua crueldade e travesti-la de liberdade de expressão. Nas postagens e comentários das redes sociais, seus autores deixam claro o orgulho do seu ódio e muitas vezes também da sua ignorância. Com frequência reivindicam uma condição de “cidadãos de bem” como justificativa para cometer todo o tipo de maldade, assim como para exercer com desenvoltura seu racismo, sua coleção de preconceitos e sua abissal intolerância com qualquer diferença.

       Foi como um encanto às avessas – ou um desencanto. A imagem devolvida por esse espelho é obscena para além da imaginação. Ao libertar o indivíduo de suas amarras sociais, o que apareceu era muito pior do que a mais pessimista investigação da alma humana. Como qualquer um que acompanha comentários em sites e postagens nas redes sociais sabe bem, é aterrador o que as pessoas são capazes de dizer para um outro, e, ao fazê-lo, é ainda mais aterrador o que dizem de si. Como o Eichmann de Hannah Arendt, nenhum desses tantos é um tipo de monstro, o que facilitaria tudo, mas apenas ordinariamente humano.


                                                 

       
                                                  JULGAMENTO DE EICHMANN EM JERUSALÉM 

       Ainda temos muito a investigar sobre como a internet, uma das poucas coisas que de fato merecem ser chamadas de revolucionárias, transformaram a nossa vida e o nosso modo de pensar e a forma como nos enxergamos. Mas acho que é subestimado o efeito daquilo que a internet arrancou da humanidade ao permitir que cada indivíduo se mostrasse sem máscaras: a ilusão sobre si mesma. Essa ilusão era cara, e cumpria uma função – ou muitas – tanto na expressão individual quanto na coletiva. Acho que aí se escavou um buraco bem fundo, ainda por ser melhor desvendado.

         Como aprendi na experiência de escrever na internet que não custa repetir o óbvio, de forma nenhuma estou dizendo que a internet, um sonho tão estupendo que jamais fomos capazes de sonhá-lo, é algo nocivo em si. A mesma possibilidade de se mostrar, que nos revelou o ódio, gerou também experiências maravilhosas, inclusive de negação do ódio. Assim como permitiu que pessoas pudessem descobrir na rede que suas fantasias sexuais não eram perversas nem condenadas ao exílio, mas passíveis de serem compartilhadas com outros adultos que também as têm. Do mesmo modo, a internet ampliou a denúncia de atrocidades e a transformação de realidades injustas, tanto quanto tornou o embate no campo da política muito mais democrático.

        Meu objetivo aqui é chamar a atenção para um aspecto que me parece muito profundo e definidor de nossas relações atuais. A sociedade brasileira, assim como outras, mas da sua forma particular, sempre foi atravessada pela violência. Fundada na eliminação do outro, primeiro dos povos indígenas, depois dos negros escravizados, sua base foi o esvaziamento do diferente como pessoa, e seus ecos continuam fortes. A internet trouxe um novo elemento a esse contexto. Quero entender como indivíduos se apropriaram de suas possibilidades para exercer seu ódio – e como essa experiência alterou nosso cotidiano para muito além da rede.

         É difícil saber qual foi a primeira baixa. Mas talvez tenha sido a do pudor. Primeiro, porque cada um que passou a expressar em público ideias que até então eram confinadas dentro de casa ou mesmo dentro de si, descobriu, para seu júbilo, que havia vários outros que pensavam do mesmo jeito. Mesmo que esse pensamento fosse incitação ao crime, discriminação racial, homofobia, defesa do linchamento. Que chamar uma mulher de “vagabunda” ou um negro de “macaco”, defender o “assassinato em massa de gays”, “exterminar esse bando de índios que só atrapalham” ou “acabar com a raça desses nordestinos safados” não só era possível, como rendia público e aplausos. Pensamentos que antes rastejavam pelas sombras passaram a ganhar o palco e a amealhar seguidores. E aqueles que antes não ousavam proclamar seu ódio cara a cara, sentiram-se fortalecidos ao descobrirem-se legião. Finalmente era possível “dizer tudo”. E dizer tudo passou a ser confundido com autenticidade e com liberdade.

        Para muitos, havia e há a expectativa de que o conhecimento transmitido pela oralidade, caso de vários povos tradicionais e de várias camadas da população brasileira com riquíssima produção oral, tenha o mesmo reconhecimento na construção da memória que os documentos escritos. Na experiência da internet, aconteceu um fenômeno inverso: a escrita, que até então era uma expressão na qual se pesava mais cada palavra, por acreditar-se mais permanente, ganhou uma ligeireza que historicamente esteve ligada à palavra falada nas camadas letradas da população. As implicações são muitas, algumas bem interessantes, como a apropriação da escrita por segmentos que antes não se sentiam à vontade com ela. Outras mostram as distorções apontadas aqui, assim como a inconsciência de que cada um está construindo a sua memória: na internet, a possibilidade de apagar os posts é uma ilusão, já que quase sempre eles já foram copiados e replicados por outros, levando à impossibilidade do esquecimento. 

        O fenômeno ajuda a explicar, entre tantos episódios, a resposta de Washington Quaquá, prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, uma figura com responsabilidade pública, além de pessoal, às agressões contra Guido Mantega. Em seu perfil no Facebook, ele sentiu-se livre para expressar sua indignação contra o que aconteceu na lanchonete do Einstein nos seguintes termos: “Contra o fascismo a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda! (…) Vamos pagar com a mesma moeda: agrediu, devolvemos dando porrada!”.

      O ódio, e também a ignorância, ao serem compartilhados no espaço público das redes, deixaram de ser algo a ser reprimido e trabalhado, no primeiro caso, e ocultado e superado, no segundo, para ser ostentado. E quando me refiro à ignorância, me refiro também a declarações de não saber e de não querer saber e de achar que não precisa saber. Me arrisco a dizer que havia mais chances quando as pessoas tinham pudor, em vez de orgulho, de declarar que acham museus uma chatice ou que não leram o texto que acabaram de desancar, porque pelo menos poderia haver uma possibilidade de se arriscar a uma obra de arte que as tocasse ou a descobrir num texto algo que provocasse nelas um pensamento novo.

      Sempre se culpa o anonimato permitido pela rede pelas brutalidades ali cometidas. É verdade que o anonimato é uma realidade, que há os “fakes” (perfis falsos) e há toda uma manipulação para falsificar reações negativas a determinados textos e opiniões, seja por grupos organizados, seja como tarefa de equipes de gerenciamento de crise de clientes públicos e privados. Tanto quanto há campanhas de desqualificação fabricadas como “espontâneas”, nas quais mentiras ou boatos são disseminados como verdades comprovadas, causando enormes estragos em vidas e causas.

           Mas suspeito que, no que se refere ao indivíduo, a notícia – boa ou má – é que o anonimato foi em grande medida um primeiro estágio superado. Uma espécie de ensaio para ver o que acontece, antes de se arriscar com o próprio RG. Não tenho pesquisa, só observação cotidiana. Testemunho dia a dia o quanto gente com nome e sobrenome reais é capaz de difundir ódio, ofensas, boatos, preconceitos, discriminação e incitação ao crime sem nenhum pudor ou cuidado com o efeito de suas palavras na destruição da reputação e da vida de pessoas também reais. A preocupação de magoar ou entristecer alguém, então, essa nem é levada em conta. Ao contrário, o cuidado que aparece é o de garantir que a pessoa atacada leia o que se escreveu sobre ela, o cuidado que se toma é o da certeza de ferir o outro. O outro, se não for um clone, só existe como inimigo.

       O problema, quando se aponta os “bárbaros”, e aqui me incluo, é justamente que os bárbaros são sempre os outros. Neste sentido, a eleição de 2014, da qual derivou a tese, para mim bastante questionável, do “Brasil partido”, bagunçou um bocado essa crença. Não foi à toa que amizades antigas se desfizeram, parentes brigaram e até amores foram abalados, que até hoje há gente que se gostava que não voltou a se falar. As redes sociais, a internet, viraram um campo de guerra, num nível maior do que em qualquer outra eleição ou momento histórico. Só que, desta vez, os bárbaros eram até ontem os aliados na empreitada da civilização.

     Descobriu-se então que pessoas com quem se compartilhou sonhos ou pessoas que se considerava éticas – pessoas do “lado certo” – eram capazes de lançar argumentos desonestos – e que sabiam ser desonestos – e até mentiras descaradas, assim como de torturar números e manipular conceitos. Eram capazes de fazer tudo o que sempre condenaram, em nome do objetivo supostamente maior de ganhar a eleição. Os bárbaros não eram mais os outros, os de longe. Desta vez, eram os de perto, bem de perto, que queriam não apenas vencer, mas destruir o diferente ou o divergente, eu ou você. "O BÁRBARO ERA UM IGUAL, O QUE TORNA TUDO MAIS COMPLICADO".

      Não se sai imune desse confronto com a realidade do outro, a parte mais fácil. Não se sai impune desse confronto com a realidade de si, este um enfrentamento só levado adiante pelos que têm coragem. Como sabemos, enquanto for possível e talvez mesmo quando não seja mais, cada um fará de tudo para não se enxergar como bárbaro, mesmo que para isso precise mentir para si mesmo. É duro reconhecer os próprios crimes, assim como as traições, mesmo as bem pequenas, e as vilanias. Mas, no fundo, cada um sabe o que fez e os limites que ultrapassou. O que aconteceu na eleição de 2014 é que os bons e os limpinhos descobriram algumas nuances a mais de sua condição humana, e descobriram o pior: também eles (nós?) não são capazes de respeitar a opinião e a escolha diferente da sua. Também eles (nós?) não quiseram debater, mas destruir. De repente, só havia “haters” (odiadores). De novo: desse confronto não se sai impune. A boçalidade do mal ganhou dimensões imprevistas.

        Seria improvável que a experiência vivida na internet, na qual o que aconteceu nas eleições foi apenas o momento de maior desvendamento, não mudasse o comportamento quando se está cara a cara com o outro, quando se está em carne e osso e ódio diante do outro, nos espaços concretos do cotidiano. Seria no mínimo estranho que a experiência poderosa de se manifestar sem freios, de se mostrar “por inteiro”, de eliminar qualquer recalque individual ou trava social e de “dizer tudo” – e assim ser “autêntico”, “livre” e “verdadeiro” – não influenciasse a vida para além da rede. Seria impossível que, sob determinadas condições e circunstâncias, os comportamentos não se misturassem. Seria inevitável que essa “autorização” para “dizer tudo” não alterasse os que dela se apropriaram e se expandisse para outras realidades da vida. E a legitimidade ganhada lá não se transferisse para outros campos. Seria pouco lógico acreditar que a facilidade do “deletar” e do “bloquear” da internet, um dedo leve e só aparentemente indolor sobre uma tecla, não transcendesse de alguma forma. Não se trata, afinal, de dois mundos, mas do mesmo mundo – e do mesmo indivíduo.

        A mulher que se sentiu “no direito” de xingar Guido Mantega e por extensão Eliane Berger, e tornar sua presença na lanchonete do hospital insuportável, assim como as pessoas que se sentiram “no direito” de aumentar o coro de xingamentos, possivelmente acreditem que estavam apenas exercendo a liberdade de expressão como “cidadãos de bem indignados com o PT”, uma frase corriqueira nos dias de hoje, quase uma bandeira. 
         
      Ao mandar Guido e Eliane para outro lugar – e não para qualquer lugar, mas “pro SUS” – devem acreditar que o Sistema Único de Saúde é a versão contemporânea do inferno, para a qual só devem ir os proscritos do mundo. Possivelmente acreditem também que o espaço do Hospital Israelita Albert Einstein deve continuar reservado para uma gente “diferenciada”. Em nenhum momento parecem ter enxergado Guido e Eliane como pessoas, nem se lembrado de que quem está num hospital, seja por si mesmo, seja por alguém que ama, está numa situação de fragilidade semelhante a deles. O direito ao ódio e à eliminação do outro mostrou-se soberano: aquele que é diferente de mim, eu mato. Ou deleto. Simbolicamente, no geral; fisicamente, com frequência assustadora.

         Mas, claro, nada disso é importante. Nem é importante a greve dos caminhoneiros ou a falta de água na casa dos mais pobres. Tampouco a destruição de estátuas milenares pelo Estado Islâmico. Essencial mesmo é o grande debate da semana que passou: descobrir se o vestido era branco e dourado – ou preto e azul. Até mesmo sobre tal irrelevância, a selvageria do bate-boca nas redes mostrou que não é possível ter opinião diferente.

"  JÁ   DEMOS   UM   PASSO  ALÉM  DA   BANALIDADE...   NOSSO   TEMPO    É   O       DA   BOÇALIDADE".

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

GILMAR MENDES CHAMA OS BLOGUEIROS DE ESQUERDA DE “GENTALHA".

GILMAR MENDES CHAMA OS BLOGUEIROS DE ESQUERDA DE “GENTALHA QUE ALIMENTA ESSE MUNDO DE INTRIGAS"

          No voto de Gilmar ele chama os blogueiros de "toda essa gentalha que alimenta esse mundo de intrigas".
                                                      
                                                     

 CHARGE DE BLOGUEIROS  E DILMA


RESPOSTA DE  Luis Nassif  em seu blog  ( que faço minha, com sua licença)

"Não vou responder a Gilmar pelas seguintes razões:

1. Ao contrário da sessão do TSE, esse blog preza a compostura e não se vale do espaço para disputas pessoais. Continuarei criticando Gilmar em todas suas posturas anti-republicanas (continuarei preservando o elogio solitário que fiz ao seu papel no CNJ, no mutirão carcerário), mas não exporei meus leitores a brigas de boteco. Respeito mais meu blog do que Gilmar respeita o TSE.

2. Como discutir com um Ministro do Supremo que, da tribuna de um poder institucional (o TSE) acusa um blog de se valer de poder institucional? Só falta Gilmar recorrer a algum jurista alemão para justificar esse contrassenso.

3. Finalmente, devido ao fato de que críticas de Bolsonaro e de Gilmar engrandecem os criticados".Luis Nassif.
                                                    
                                                

            REUNIÃO-ENTREVISTA DOS BLOGUEIROS COM LULA. 


E acrescento ainda : 
  
          Os pontos levantados no voto de Gilmar Mendes  seriam irregularidades formais, o que, segundo especialistas ouvidos pelos jornais, não levariam à automática desaprovação das contas, nem impediriam a diplomação de Dilma no próximo dia 18.

          O parecer  favorável à Dilma, produzido por Rodrigo Janot  é tão importante quanto à análise dos técnicos, já que seu posicionamento, seguido pelas observações técnicas, orientaram os votos dos ministros, que hoje dia 10 de dezembro de 2014   aprovaram as contas da campanha da presidenta Dilma Roussef, com ressalvas, por unanimidade.


P.S.  E Ministro GILMAR, GENTALHA é Vossa Excelência! 




AÉCIO ACABA DE PERDER O TERCEIRO TURNO!

AÉCIO ACABA DE PERDER O TERCEIRO TURNO!!!!

          E QUEM GANHA, COM CERTEZA, É O POVO BRASILEIRO. ACABA O FIM DO SUSPENSE...
         GILMAR MENDES, DEPOIS DE FALAR POR MAIS DE 90 MINUTOS ACABA DE APROVAR, MUITO CONTRARIADO, AS CONTAS DE DILMA ROUSSEFF...

          E O SEU AÉCIO, O PLAYBOY DO LEBLON DEU UM TIRO NO PRÓPRIO PÉ POR TER ALIMENTADO O TERCEIRO TURNO E ACREDITADO QUE GILMAR MENDES NÃO O JOGARIA ÀS FERAS.

          O PLENO DO TSE ACOMPANHOU POR UNANIMIDADE O VOTO DO RELATOR GILMAR MENDES QUE CHEGOU A DIZER QUE OS ERROS APONTADOS PELOS TECNICOS DO TSE ERAM "MERAMENTE FORMAIS"!
(NA ANÁLISE DAS CONTAS ELES ERRARAM A SOMA EM 4. 400 MIL)

http://www.brasil247.com/…/Fim-do-suspense-Gilmar-aprova-as…

                                                         




           E PASMEM! QUEM ACABOU TENDO SUAS CONTAS REJEITADAS, FOI GERALDO ALCKMIN, DO PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA. KKKK
É A LEI DO RETORNO, QUERO VER DIPLOMAREM O PICOLÉ DE CHUCHU GOVERNADOR DE SP, AGORA KKKKK

                                                                         

                 ALCKMIM AGRADECENDO A VITÓRIA NO 1º TURNO

        http://painel.blogfolha.uol.com.br/2014/12/10/tre-rejeita-contas-de-alckmin/


           APESAR DE ESTAR NO GOVERNO DE SP HÁ MAIS DE 20 ANOS O PSDB  DE  GERALDO ALCKMIN NÃO  REALIZOU  OS INVESTIMENTOS NECESSÁRIOS PARA QUE A COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUA, A SABESP, MONTASSE UM SISTEMA SEGURO DE DISTRIBUIÇÃO PARA A REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO, QUE ACOMPANHASSE A EXPANSÃO DA CIDADE E DE SUAS DEMANDAS DE ÁGUA, COMO DETERMINAVAM OS ESTUDOS TÉCNICOS E OS INÚMEROS AVISOS DE QUEM ENTENDE DO PROBLEMA.

           RESULTADO: OS MORADORES DE AMERICANA, CAMPINAS, COSMÓPOLIS, ITU, SANTO ANTÔNIO DE POSSE, SÃO PEDRO, SUMARÉ, VALINHOS E VINHEDO JÁ RECEBEM DA SABESP MENOS DE DOIS TERÇOS DO VOLUME NORMAL DE ÁGUA. OS HABITANTES DE BARUERI, COTIA, EMBU DAS ARTES, SANTANA DO PARNAÍBA, ITAPECERICA DA SERRA E ALGUNS BAIRROS DA CAPITAL JÁ CONVIVEM COM REPETIDAS INTERRUPÇÕES NO FORNECIMENTO REGULAR.

           EM GUARULHOS, MAIS DE 850 MIL PESSOAS JÁ ESTÃO SENDO AFETADAS PELO CORTE DE 15% DECRETADO PELA SABESP - DE UMA HORA PRA OUTRA, TIRARAM DE GUARULHOS 24 MIL LITROS DE ÁGUA POR MINUTO.

          ALGUMAS REGIÕES DA CIDADE FICARÃO UM DIA SEM ÁGUA A CADA TRÊS DIAS. OUTRAS RECEBERÃO ÁGUA DIA SIM, DIA NÃO. O GOVERNADOR ALCKMIM CHEGOU AO CÚMULO DE AVISAR DA MEDIDA POR EMAIL AO  PREFEITO SEBASTIÃO ALMEIDA  NUM GESTO QUE MOSTRA O DESRESPEITO DO GOVERNO TUCANO COM A SEGUNDA MAIOR CIDADE DO ESTADO. 

                       DESRESPEITO E FALTA DE  "JOGO DE CINTURA"!

                                                               




http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/03/21/crise-da-agua-revela-a-inacao-do-governo-alckmin.htm



domingo, 28 de setembro de 2014

A CRÍTICA COVARDE AOS BLOGUEIROS ( por Paulo Moreira Leite).

A CRÍTICA COVARDE AOS BLOGUEIROS
28 de setembro de 2014
por Paulo Moreira Leite.



        Em vez de criticar a grande mídia que faz cobertura dirigida contra Dilma, medalhões do jornalismo falam mal de quem ajuda o país a respirar um pouco de liberdade
         O jornalista Ricardo Noblat disse que os blogueiros que foram entrevistar Dilma são pagos pelo PT. Também disse que a entrevista foi uma farsa, embora tenha revelado um furo: a confirmação de que, se for reeleita, Dilma irá encaminhar o projeto de regulamentação econômica da mídia — tarefa que o Congresso brasileiro deve ao país desde 1988, quando a Constituição definiu que a comunicação social não pode ser objeto de monopólio nem de oligopólio.
     Eu acho que a crítica ao trabalho de blogueiros que têm um posicionamento político favorável a Dilma e Lula seria menos covarde se levasse o Manchetômetro em conta.
Explico.
           Se você examinar a ultima edição do Manchetômetro, que contabiliza o trabalho dos grandes jornais do país e também do tele-jornal de maior audiência — empresas que remuneram os principais críticos dos blogueiros — verá o seguinte resultado:

1) no Jornal Nacional, Dilma recebeu 15 notícias negativas. Mais de duas por dia. Marina e Aécio não tiveram notícias negativas.
2) na primeira página da Folha de S. Paulo, Dilma teve 8 negativas para 10 definidas como neutras. Marina NÃO TEM UMA ÚNICA  notícia negativa. Aécio recebeu 1 negativa para 3 neutras.
3) no Globo, Aécio recebeu duas neutras e duas negativas. Marina, 7 neutras e 1 negativa. Dilma recebeu 30 negativas e 9 neutras.
4) no Estado de S. Paulo, Aécio recebeu oito notícias neutras e quatro negativas. Marina, 3 neutras e 9 negativas. Já Dilma ficou com 34 negativas para 16 neutras.

Manchetômetro

          Estamos falando justamente de um período da campanha no qual Dilma consolidou a liderança nas pesquisas, cravando uma diferença de 13 pontos sobre a segundo colocada. Chegará com folga no segundo turno e, se ocorrer um terremoto na reta final, pode levar até no 1º turno. Enquanto isso, Aécio e Marina brigam pelo osso.
           Uma semana de notícias negativas para quem? Positivas para quem?
          Eu acho estranho que, sempre a postos para criticar uma duzia e meia de blogueiros, nossos críticos façam um silêncio encandaloso diante desses números.
           Não conseguem achar nada de errado aí, nada a comentar? Esse é o significado da palavra “isento” em seus manuais de redação?
          Será que é assim que eles acham que estão fazendo sua parte para construir um Brasil melhor, como dizia dona Celina, minha inesquecível professora de História no Guaracy Silveira, fazendo fé naquilo que lia nos editoriais escritos pelos pais e avós dos jornalistas de hoje?
             A crítica aos blogueiros é prova de uma imensa covardia. Parte de profissionais que adoram criticar o que chamam de jornalismo chapa branca mas atuam como pelegos de patrão.
            Dão o braço a quem é forte — e paga seus vencimentos — para tentar atingir quem é fraco. Perdidos numa vaidade imensa, estão sempre dizendo que a opinião adversária não é legítima e foi comprada.
             Com o argumento do dinheiro escuso, tenta-se sugerir que a condição profissional na grande mídia se justifica pelo “talento imenso “, pela “profundidade de suas análises”, “pela qualidade de sua informação”, pela sua “independência” e outras meias-verdades (ou mentiras totais, conforme o caso) do jornalismo real.
         Do ponto de vista da circulação de informações e debate de ideias numa sociedade, o Manchetômetro mostra só a ponta do iceberg. Estamos falando de uma sociedade na qual o controle da informação é amplo e profundo.
          No conteúdo, o noticiário é abertamente dirigido em função do interesse político. (Você não vai dizer que 30 a 9 ou 15/20 contra Dilma são “expressão possível da verdade, ” a definição clássica para o jornalismo, certo?)
         Mas é este jornalismo pervertido que é reenviado para os sites de jornais, revistas, canais de TV, que também possuem grandes audiências, num processo de alavancagem mútua. Transfere-se depois para a TV e o rádio, onde repórteres e colunistas do papel vestem a roupa de comentaristas e apresentadores e atuam com as mesmas ideias, valores e opiniões.
          O debate, então, é outro.
       A concentração política dos meios de comunicação atingiu um padrão grotesco, irrespirável. Vinte e nove anos depois da ditadura militar, temos um aparato de comunicação social que é privado, pelo regime de propriedade, e autoritário, como instituição política.
          É coerente com sua visão de mundo, extraída da mesma árvore política: liberal no plano dos direitos individuais, reacionária na visão de Estado e de proteção social aos fracos e excluídos.
         São erros cometidos e repetidos com a certeza da impunidade, o veneno da arrogância.
      Tenho críticas a determinados blogueiros e só posso fazer elogios a outros. Mas, como regra, eles causam incômodo pelo lado certo. Arranham o que precisa ser arranhado.
                                           
                                                       



           Falam por uma parte do país que não tem voz. E vamos combinar que, mais uma vez, as pesquisas eleitorais mostram que é uma parte grande, certo?
          Do ponto de vista da liberdade e da democracia, que é a substância do jornalismo, o pior blogueiro faz um trabalho muito mais relevante para o Brasil e os brasileiros do que o medalhão que regulado pelas mensagens telepáticas enviadas pelo comando da empresa onde trabalha.
           Eu sei disso, você sabe disso. Eles sabem disso. É por isso que os blogueiros merecem respeito, e não críticas medrosas, típicas de cães sabujos, que têm receio de perder o filé mignon do pensamento único.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Carta de uma gordinha à Marina Silva ( por Camila Moreno)

AFASTADA DO BLOG POR PROBLEMAS DE DOENÇA NA FAMÍLIA, VOLTEI HOJE PARA PUBLICAR A EXCELENTE RESPOSTA DE CAMILA MORENO À MARINA SILVA À RESPEITO DE MANGANGÁS E CAPINARÃS. GORDOS E MAGROS. 

Camila Moreno: Carta aberta de uma gordinha a Marina Silva
Por Camila Moreno
22/09/2014 - 

                                                        



Marina,

        Está circulando pela internet um vídeo em que a senhora faz uma comparação entre você e a também candidata e presidenta Dilma Rousseff. Entre as tantas comparações que podem e devem ser feitas entre as duas candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais, você opta por dizer é magrinha, enquanto Dilma é fortinha, exatamente com essas palavras, arrancando risadas e aplausos da plateia.

         Lembro com nitidez que a senhora já havia feito essa comparação com Dilma na eleição passada, ao ser perguntada sobre suas principais diferenças.

       Dilma é a primeira presidenta da história do Brasil e essa é a primeira eleição com grandes chances de duas mulheres irem para o segundo turno. Uma eleição histórica, certamente. Histórica porque em um país cercado de machismo por todos os lados; em que as mulheres são menos de 10% no Congresso Nacional; onde embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha, ainda estamos em 7º lugar no ranking da violência doméstica; a maioria dos cidadãos e cidadãs do nosso país, se as pesquisas estiverem certas, optará por confiar o seu voto em uma mulher. Isso é lindo e me emociona.

         Sei que você sabe, Marina, que ser mulher é um desafio cotidiano. É ter que provar duas vezes que é capaz. Na política então, nem se fala. Lembro o quanto te criticaram pelo fato do seu companheiro trabalhar no governo do PT no Acre, como se vocês, por serem casados devessem ter a mesma opinião política. Na época, te defendi e disse que achava um absurdo esse tipo de acusação. Te defendo quando falam da sua voz, porque não estão acostumados com vozes mais agudas nos debates políticos. Imagino Marina, o quanto sejam duras as críticas por causa do seu cabelo, pelas roupas e não pelas ideias.





          Talvez você não tenha tido noção da gravidade da sua declaração, Marina, mas eu vou te contar o porquê ela doeu no fundo da minha alma: eu sempre fui considerada uma criança gordinha e desde que entendi que isso era um defeito, sofri com isso. Tive transtornos alimentares graves e só me aceitei de fato, quando conheci a militância e o feminismo, porque me mostraram que os padrões de beleza nos tornam escravas de uma busca impossível e infeliz e eu esperava que as mulheres na política, ainda que com divergências, optassem pela desconstrução do machismo, mas você fez exatamente o contrário.

        Essa sua declaração apenas reforça um padrão ditatorial que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres arrisquem suas vidas em métodos salvadores do alcance da beleza, porque ao invés de você optar por ajudar a romper com essa lógica de que a mais magra é melhor que a gorda, você a reforçou. Você podia ter escolhido desconstruir a ideia de que o debate entre duas mulheres seria um debate superficial e estético, mas você preferiu seguir essa lógica que revistas de beleza e a indústria do entretenimento entranham todos os dias na nossa vida, de que para ser bem sucedida e feliz, é preciso ser magra.
                                                          




          Você não perdeu o meu voto com essa sua “piada”, porque você já o havia perdido quando optou por deixar de lado a sua bela trajetória de vida e luta ao lado de Chico Mendes para ser a nova voz da direita e do neoliberalismo no país; mas eu de fato esperava um debate mais qualificado da sua parte.


CAMILA MORENO É MILITANTE DA JUVENTUDE DO PT, ESTUDANTE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA E PRETENDE NÃO SER INFELIZ POR CONTA DOS PADRÕES DE BELEZA.

EU, DADINHA, 65 ANOS , 98 QUILOS DE TRANQUILIDADE E MANSIDÃO (KKK) TAMBÉM NÃO!!!

terça-feira, 29 de julho de 2014

GAZA, BRASIL E A BANALIDADE DO MAL


GAZA, BRASIL E A BANALIDADE DO MAL


Trem de judeus para Auschwitz 

Ontem assisti um filme sobre Hannah Arendt , onde ao acompanhar o julgamento do nazista  Erich Eischmann ela fala das razões que uma pessoa tem para fazer maldades.  Pensei muito nisso. Quem produz o mal coletivo como no caso de Eishmann não tem nada  pessoal contra nenhuma das pessoas atingidas pelo seu mal. É que ele escolhe abandonar sua consciência pessoal em nome do interesse maior do estado , voltando para aquela zona sombria que sequer se choca com a “banalidade do mal” por ela praticada. Hannanh  diz no filme que foi até lá esperando encontrar no banco dos réus um monstro, um ser abjeto e se espantou a encontrar um Zé-Ninguem; um ser humano assustadoramente normal, que só agiu assim obedecendo uma ordem, de acordo com a lei. Ele era só  um homem comum...  E Resfriado!!!!
Quando praticou tanta “crueldade” ele não teve como motivo nada radical nem pecaminoso, nem a julgava um crime de lesa-humanidade; não estava vinculado à emoções humanas como vingança, racismo,  ódio, semitismo,  xenofobia:  ele como tantos que cruzam conosco nas ruas e em imagens de TV, não tem o que ela chamou de “a grandeza demoníaca da maldade": ele era banalmente mal.
Hoje quando vemos o mal sendo cometido contra os palestinos de Gaza, analisamos o papel dos líderes judeus; é a faceta mais improvável da decadência moral  de todo um povo e uma liderança que ao longo dos anos quase se especializou  em assassinar o caráter de seu povo, em destruir a humanidade das pessoas, fazê-los cometer maldades numa escala tal que não os deixa distinguir entre o que é certo e o que é errado!!! Vemos muitas fotos do povo comum judeu, de bermudas colocando cadeiras nas colinas para “assistir” o bombardeio da faixa de Gaza!!! Esquecendo que a cada bomba explodida do lado de lá tinham pessoas morendo, logo ali na frente ....O bem maior do interesse do estado de Israel! O mal não pode ser banal, o mal é sempre extremo, tal é a sua abrangência e alcance! Já o bem pode ser sim total e radical ao mesmo tempo.
         Hannah Arend cunhou a expressão "banalidade do mal" após assistir o julgamento de Eichmann, ao observar que não se tratava de um monstro que enviava as pessoas para os campos de concentração, mas um homem absolutamente normal, embora medíocre. Ela, como pensadora (não gostava de ser chamada de filósofa, embora fosse) diz na obra "Eichmann em Jerusalém" que “a incapacidade de pensar como indivíduo  leva o homem a cometer as piores atrocidades”. A obediência cega, seja a um chefe ou a princípios, sem consciência crítica, pode resultar na barbárie. Por isso Hannah Arendt dizia que o que aconteceu, sob as ordens dos nazistas, pode voltar a acontecer em qualquer tempo. Ela estava certa.Voltou agora, e os atores que sofreram a ação da maldade, AGORA a cometem friamente.
No filme vemos a filósofa como uma pessoa comum, uma professora envolvida com seu trabalho acadêmico, suas aulas e pesquisas. Quando escreveu seu polêmico “Eichmann em Jerusalém” ela recebeu muitas críticas porque a julgaram defensora dos nazistas, logo ela que era  judia vinda dos campos de concentração na França ocupada. A análise dela foi desmistificatória; o carrasco nazista capturado na Argentina e julgado em Jerusalém em 1962, um homem visto por muitos como  um monstro, um ser maligno, um louco, cruel e perverso, na sua  percepção era apenas um  caráter medíocre, comum, um fiel cumpridor de ordens, que tinha uma  postura ordinária que o fazia igual à tanta gente, e isso causou mal estar entre todos os que defendiam a justiça e o bem.
Foi justamente a atitude de Eichmann que permitiu a Arendt cunhar a curiosa idéia relativa à “banalidade do mal”. Por banalidade do mal, ela se referia ao mal praticado no cotidiano como um ato qualquer, feito de maneira automática, sem muito pensar. Muitas pessoas interpretaram a visão de Arendt como uma afronta à desgraça judaica, mas  ela era uma  filósofa descomprometida com seu povo,  religião, partido ou ideologia; só tentava entender o que realmente se passava com a particularidade  de um homem como Eichmann.

Crianças do campo de concentração de Treblinka

A pensadora Arendt não adotava sua condição de judia como superior ao seu  caráter de filósofa  comprometida com a compreensão de seu tempo. A condição judaica era, para ela, sua condição humana. Não menos, não mais. O problema da individualidade,   das nossas escolhas éticas que provocam  nossa liberdade e responsabilidade, era a questão central naquele  momento para ela. Como hoje lá em Israel e Gaza, aliás!
A tese da banalidade do mal é uma tese difícil, não por sua lógica, mas por seu desempenho. Aquele que é confrontado com ela precisa fazer um exame de sua consciência particular em relação ao geral e, portanto, de seus atos enquanto participante de um grupo, de um estado e de sua  condição humana. A banalidade do mal significa que o mal não é praticado como atitude deliberadamente maligna.  O praticante do mal banal é o ser humano comum, aquele que ao receber ordens não se responsabiliza pelo que faz, não reflete, não pensa. As  pessoas comuns  tomadas pelo “vazio do pensamento”, como imbecis que não pensam e repetem  clichês e que são  incapazes de um exame de consciência.
Heidegger, o filósofo que diz ter se arrependido de aderir ao regime nazista, e que foi o amor e mestre maior  de Hannah era um gênio da filosofia e, no entanto  pouca coisa diferente de Eichmann.
O aterrador é constatar que entre Eichmann, o imbecil, e Heidegger, o gênio, está o ser humano comum. O nazista não  era diferente de qualquer pessoa, era um simples burocrata que recebia ordens e que punha em funcionamento a “máquina” do sistema! Do mesmo modo que cada um de nós pode fazê-lo a cada momento em que, autorizado pela  reflexão que une, em nossa capacidade de discernimento e julgamento, a teoria e a prática, e ai, seguimos as “tendências dominantes”, o “caminho da manada” como escravos livres de si mesmos.  

SAIR DA BANALIDADE DO MAL É FAZER A OPÇÃO ÉTICA E RESPONSÁVEL DO PENSAR E DESCOBRIR, ( NA CONTRAMÃO DA TENDÊNCIA À DESTRUIÇÃO, QUE CONVIDA  CADA UM A CONFORMAR-SE COM AS INJUSTIÇAS), UMA FORMA DE REAGIR .

A banalidade do mal é, portanto, uma característica de uma cultura carente de pensamento crítico, em que qualquer um – seja judeu, cristão, alemão, brasileiro, mulher, homem, não importa – pode exercer a negação do outro e de si mesmo.

Mais uma explosão de míssil em território Palestino.

Em um país como o Brasil, em que a banalidade do mal realiza-se na atitude autorizada, PELO AGIR DA MAIORIA, na homofobia,  nos preconceitos do racismo, no consumismo e no assassinato de todos aqueles que não têm poder, seja Amarildo de Souza, Chico Mendes, Irmã Dorothy   Stang, seja o adolescente negro da periferia ou da favela, o sem-terra que ocupou uma fazenda  improdutiva, uma parada DE TODOS NÓS PARA PENSAR, pode significar o bom começo de um crime a menos na sociedade que extermina e na polícia do  Estado transformados em máquina mortífera.


Contra os sem-poder, a truculência do  cumpridor-de-ordens.

Não nos esqueçamos que também somos tomados pelo “vazio do pensamento” quando repetimos os clichês disfarçados  de crítica contra o mal, quando separamos os  vilões dos  mocinhos, distinguindo pela aparência os opressores dos  oprimidos. São as mesmas que combatem preconceitos com outros preconceitos. 
As mesmas cabeças que vomitam valores isolados, aceitando a baderna dos  protestos públicos dos Black Blocks  justificados  erroneamente pela ausência  de algumas atitudes do governo. Melhor seria cada um  fazer  um exame particular e  olharmos de frente para o monstro que habita um canto sombrio de todos nós. E nesse auto-exame  deixarmos de ser “especialistas” na crítica do modo de agir e pensar do "outro".  Em nome de interesses pessoais, muitos abrem mão  do pensamento crítico, engolem violência e toleram conviver com aqueles  que desprezam.
Para mim, de maneira prática a  banalidade do mal está em não assumir o  papel de construtor de si e de sua nação, na falta de visão em enxergar o outro como igual, de se colocar no lugar do outro, ter respeito e de, ao invés de lutar a todo momento pela mesquinharia dos direitos individuais dentro do grupo,  abrir mão deles  auxiliando os outros no dia-a-dia. É o conhecido e evangélico mandamento de Jesus ”fazer aos outros o que desejamos que nos façam”!

A banalidade do mal em nosso povo está ligada diretamente ao fato das pessoas estarem se tornando tolerantes  com a corrupção política e social, enquanto tornam aqueles honestos e bem intencionados cidadãos, (como Betinho e Irmã Dulce) figuras míticas ou  tolas e antiquadas.  Algumas pessoas, e não são poucas, comentaristas de redes sociais estão contaminadas  pela lógica da banalidade do mal, apoiadas por uma mídia dominante que vulgariza  o mal, tornando-o corriqueiro. 

Só o Estado, o capital financeiro  e a sociedade são  "máquinas mortíferas"?...  E nós? 


Chico Mendes e a Irmã Dorothy , assassinados a mando de fazendeiros.


sábado, 5 de julho de 2014

A TRAGÉDIA DE NEYMAR, O NOVO EL CID.

A TRAGÉDIA DE NEYMAR, O NOVO EL CID. 
                                                              Uma cronica de Luis Figueiredo

Neymar saindo de campo machucado 

Amigos, a partida Brasil x Colômbia foi memorável. Se por toda a copa nosso escrete foi um agregado de ótimos jogadores que não se comunicavam, ontem finalmente e para todo o sempre jogamos como um time. Boa parte disso devemos agradecer aos nossos oponentes, que deram jogo franco, atacaram como bárbaros sedentos de roubarem nosso sonho. Prontos para sangrar-nos como em 50. Nesta copa, todos os latinos desejam ser o Uruguai de 50.
Havia James, a promessa áurea da Colômbia. Ele chegou a nos amedrontar, até o apito inicial. Desde então nossa defesa foi um castelo hermético. Júlio Cesar, após salvar-nos contra o Chile, pôde por muito tempo pentear os cabelos, Rapunzel em sua torre inexpugnável. Torre que é guarnecida por dois gárgulas sombrios e fortes, emotivos, apesar de serem feitos de pedras, são eles puro coração, vontade solidificada em dois zagueiros portentosos. Tiago Silva e David Luís, nossos gárgulas. Corriam os atacantes colombianos, desejosos do gol e logo eram cobertos pela sombra mística dos gárgulas, eles tinham asas, olhos vermelhos capazes de prever o futuro dando-os a capacidade de postar-se no exato local e momento para roubar a bola.
Nosso Craque, o gênio-menino Neymar, não jogava bem, estava guardando seu brilhantismo para o próximo jogo, caprichos que só os gênios podem ter. Nesse ínterim o menino Neymar cobrou um escanteio, Fred, o judas malhado, fez o serviço silencioso segurando dois defensores para que Tiago Silva ruflasse suas asas de pedra e de maneira simples e fatal cravasse o primeiro tento.


Neymar.

Mas nossos zagueiros queriam mais. Tempos depois, uma falta. Silêncio no estádio. David Luís corre e como um engenheiro pós-graduado faz real uma parábola de beleza e perfeição matemática. Era nosso segundo tento.
Houve um gol da Colômbia, sim. Houve muita vontade, muita força e muita luta por parte de nossos combatentes. Mas houve a tragédia e a tragédia é o gênero maior da literatura e do futebol.
Dizia Aristóteles que a tragédia deveria cumprir três condições fundamentais: possuir personagens de elevada condição, ser contada em linguagem magistral e ter um final triste. Somem dois mais dois, caros amigos. Temos a tragédia futebolística máxima, digna de calar Sófocles ou Shakespeare. Nosso craque, de elevada condição, foi atingido de maneira implacável nas costas, em nossa primeira partida magistral, e assim, estava ele fora da copa, tiravam de nosso menino o sonho de vencer sua primeira copa do mundo.
O Brasil é um país sem memória, dirão os idiotas da objetividade, e eu responderei. Os heróis nunca morrem, os heróis jamais serão esquecidos. Contra o pragmatismo alemão e raivosos como cães que perderam um ente da matilha, nossos onze jogadores serão todos Amarildos possessos de uma vontade fulgurante.


EL CID, O HERÓI ESPANHOL QUE LIDEROU UMA BATALHA E VENCEU, AMARRADO EM SEU CAVALO.

E quanto a Neymar? Nosso menino estará, de alguma forma lá. Sua figura deve fazer-se presente nesse continuar de copa. Como El Cid, o simulacro de sua existência em campo será capaz de fazer  tremer nossos oponentes. É ISSO, MEUS CAROS AMIGOS, O FUTEBOL É A LITERATURA TRADUZIDA EM ESPORTE.


Luís Figueiredo (28 anos, FORMADO EM LETRAS PELA FATEA, PROFESSOR NA REDE ESTADUAL DE SP FAZENDO PÓS GRADUAÇÃO NA UNITAU, SP APAIXONADO POR ANA LUISA, E PELO CORINTIANS  KKKK)


NOTA MINHA: 
*Quem    foi EL CID: Quando , no século XI a cidade de Castela esteve sitiada pelos mouros, o cavaleiro  que os soldados chamavam de El CID mesmo mortalmente ferido mandou que lhe amarrassem em seu cavalo, com a armadura e as armas de batalha e os liderou, vencendo e expulsando os mouros! Sua presença à frente de seus guerreiros, mesmo depois de morto,  foi a inspiração,  o motivo de força e de alento para seus guerreiros! 

E para quem ainda se lembra,como eu,  Amarildo foi o jogador que substituiu Pelé, que saiu  machucado na Copa de 1962.  E QUE VENCEMOS!  Dadinha